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(Uma reflexão sobre o dia de Finados que deve ser meditada em nossos corações durante todo o ano)

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Hoje meditaremos sobre o lugar de repouso dos mortos, ou seja, o cemitério. Falaremos da importância deste lugar, e o modo como devemos tratá-lo... Convido você a refletir atentamente, até mesmo para ter uma nova visão acerca dos cemitérios, que são, acima de tudo, um espaço sagrado. 
 
A palavra cemitério vem do latim e significa "fazer deitar", ou seja, literalmente, dormitório, lugar de descanso. Neste espaço estão aqueles por quem a igreja reza, dizendo: “Daí-lhes, Senhor, o descanso eterno!”//  
 
Em alguns lugares cemitério também é chamado de “campo santo”, em outros lugares já o chamam de “campo de Deus”. É, de fato, um lugar sagrado, um exemplo constante para nós vivos. O nosso corpo também é sagrado, é templo do espírito santo, assim devemos dedicar todo respeito, porque um dia este corpo ressuscitará glorioso. E, dedicar um espaço adequado aos nossos corpos após a morte significa honrá-los, dar dignidade a eles.//
 
Vamos entender porque o cemitério é um santo lugar. Primeiro por conta da bênção solene que recebe, e muitas vezes esta benção é proferida pelo próprio bispo da diocese, mas o bispo pode delegar esta função para um sacerdote, de preferência àquele a quem foi confiado o cuidado pastoral dos fiéis que construíram o cemitério.
 
E em segundo lugar, o cemitério é um lugar santo devido à presença dos restos mortais de muitos santos que estão face a face com Deus ou ao menos estão certos de alcançá-la.
 
Nos cemitérios é colocada uma cruz bem grande, que é a lembrança de nossa redenção. Portanto, esse campo-santo é também a terra da cruz. Tudo que está ali nos fala da cruz de Jesus, mas podemos perceber que, de algum modo, já ficou esquecida no tempo a tradição de se colocar uma cruz no túmulo de cada corpo, ela é substituída hoje por outros símbolos, ou até mesmo por fotos//
 
A Igreja, que consagra os cemitérios, abençoa as sepulturas cristãs e pede ao Senhor que mande um anjo para guardar cada uma delas. Eis a bela oração da bênção do túmulo:
“Ó Deus, cuja misericórdia dá o repouso às almas dos fiéis, dignai-vos abençoar esta sepultura e enviar o vosso anjo para guarda-la. Dignai-vos também livrar dos laços de seus pecados as almas daqueles cujos corpos estão aqui sepultados, a fim de que, gozem continuamente e eternamente a felicidade junto com os vossos santos”...
 
Assim a Igreja santifica o cemitério, a nossa sepultura, e deseja que aprendamos ali o que somos: pó e uma alma imortal destinada à felicidade eterna no seio de Deus.
 
A sociedade moderna quer acabar com o cemitério por achar que é apenas um lugar onde os corpos apodrecem, e desejam, portanto implantar a cultura dos crematórios. A nossa igreja é bem clara na orientação aos fiéis, como já foi dito aqui em outras meditações, mas vale a pena repetir: “não há um impedimento à cremação sempre e quando o corpo humano não for nem manipulado, nem muito menos aproveitado por nenhum outro motivo diferente daquele da condução final das cinzas, de modo reverente e respeitoso, a um local apropriado”. Não é recomendado, espalhar as cinzas no mar, no jardim ou serem depositadas num lugar da casa onde moram os familiares do defunto. A Igreja mantém a sua voz firme quanto ao respeito e à dignidade da pessoa, e nós também devemos, livremente, aderir aos seus ensinamentos que nos levam à salvação
 
Mas, qual seria o sentido do cemitério? // segundo Monsenhor Jean-Joseph Gaume, um religioso francês do século dezenove, o cemitério cristão tem quatro dogmas. O primeiro é a nobreza e a santidade do corpo da pessoa humana, o segundo a grande lei da fraternidade universal eterna, a terceira a imortalidade da alma e a última a ressurreição da carne.
 
Como é doloroso ver as pessoas desrespeitando e profanando o lugar dos mortos com tantas leviandades, escândalos e pecados... No cemitério devemos nos conservar respeitosos como se estivéssemos em uma Igreja. Devemos rezar e meditar.
 
Cada sepultura é uma porta para o céu. Uma sementeira onde descansa um corpo e depois de decomposto como a semente na terra, surgirá ressuscitado para unir-se à alma na eternidade, quando vier a ressurreição da carne.
 
A Igreja quer que visitemos os cemitérios, que não nos esqueçamos desta obra de caridade. Não basta aquela visita, muitas vezes por vaidade e ostentação, no dia de finados, com coroas, lágrimas e flores. Os mortos precisam mais do que isso. É preciso fazer sacrifícios pelas almas dos nossos defuntos. Devemos visitar os cemitérios acreditando na ressurreição da carne.
 
Que a força da ressurreição nos sustente e nos envie a uma vivência profunda de nossa fé católica!
 
Santo do dia: Santa Catarina de Alexandria
Salmo do dia: (Dn 3) A vós louvor, honra e glória eternamente!
 
Que o poder do Espírito Santo nos dê um coração aberto para assimilar o conteúdo da meditação de hoje. Falaremos sobre o Santo sacrifício da Missa pelos defuntos. Sem dúvida, não há maior sacrifício que podemos oferecer para as benditas almas.//
 
Nas missas aos defuntos, a liturgia exige o uso do roxo, ou do preto como cores dos paramentos, simbolizando o luto. O hino de louvor é excluído. Omite-se ainda, se estiver no tempo pascal, a “aleluia”, e deve-se também guardar o silêncio e evitar bater palmas. Além disso, é conveniente que o círio pascal fique ao lado do corpo do defundo, simbolizando que a luz de cristo está presente. A missa pelos defuntos é parecida com as missas do tempo da paixão de cristo. Com isso, a igreja pretende mostrar que a dignidade do cristão assemelha-se a Jesus na paixão.//
 
É importante dizer a respeito de mais alguns detalhes específicos desta missa, como por exemplo, o sinal da cruz que o sacerdote faz sobre si em outras missas, na celebração para os mortos é feito sobre o missal, para dizer que tudo agora é para os falecidos. Também não rezamos a oração do creio. E após o cordeiro de deus não há o abraço da paz, pois as almas já estão na paz de deus e livre dos perigos do pecado que tiram a verdadeira paz. Elas sofrem muito, mas em uma doce paz.//
 
De acordo com o código de direito canônico, a missa pelos mortos é um direito dos fiéis, assim que a pessoa falece, no sétimo dia, no trigésimo, no primeiro ano, e na comemoração de todos os fiéis defuntos, em que se oferece a santa missa em favor daqueles que adormeceram em cristo. Assim, a igreja procura ajudar a alma diante de deus com orações, para que sejam unidas aos cidadãos do céu.// essa é a esperança cristã que a igreja oferece aos seus filhos com a ressurreição dos mortos.
 
Infelizmente, a celebração da Santa Missa pelos defuntos não está na moda nos dias de hoje. Percebemos que a moda de hoje é ignorar o valor deste ato de amor. E, muitas vezes, os próprios cristãos desconhecem o valor da santa missa pelos mortos, por desejarem ignorar o acontecimento sempre trágico e traumático que é a morte. É lamentável que perante a morte nasça mais depressa a revolta e a incompreensão do que a serenidade e a esperança no senhor. // diante disso, levemos em consideração que, aquilo que nos afasta da comunhão espiritual dos mortos, nos afasta também da poderosa força da mensagem cristã da ressurreição. Quem perde uma, perde também a outra.
 
Na verdade, a morte possibilita que nos abramos completamente àquele que nos fez viver na terra: Jesus eucarístico!.// a eucaristia é o memorial da paixão e morte de Jesus. E é por esta razão que ela é o lugar onde melhor podemos recordar os mortos. Ali lembramos a morte do rei da vida e professamos a sua ressurreição. Por isso, a recordação da morte dos nossos defuntos é também a recordação da sua ressurreição. Concluímos então, irmãos, que não é humano não fazer memória dos mortos.
 
Portanto, celebremos a eucaristia, na certeza de que nela se atualiza a nova aliança. De que por ela nos aproximamos confiadamente de deus, de que nela está o fundamento de nossa existência, e renovamos a comunhão com Deus e os irmãos, isto é, retomamos o projeto inicial de amor no qual Deus nos criou.
 
Queridos irmãos e irmãs, só quem reconhece, pela fé, uma grande esperança na morte, é que pode também viver uma vida, todos os dias, animada pela esperança. Quando reduzimos a pessoa humana, à sua dimensão terrena, até a própria vida presente perde o seu sentido mais profundo. A pessoa humana precisa da eternidade e aspira por ela! E qualquer outra esperança, para nós, é breve, pequena e limitada demais.
 
Jesus é este Deus conosco, que sofre conosco, até à morte e daí mesmo nos levanta e ressuscita, para a vida. Portanto, existe um amor, que supera todo o isolamento, inclusive o da morte, numa totalidade de vida, que está para lá deste espaço e deste tempo.
 
Com esta esperança, que a fé nos sustenta, trabalhemos, sempre mais, para aproximar este nosso mundo do mundo novo, que há de vir.
 
A meditação de hoje nos ajudará a entender o verdadeiro sentido da liturgia dos funerais... O que devemos rezar nos velórios? Como tratar os corpos dos defuntos, você sabe?/ vamos aprender um pouco mais, a partir de agora...
 
A palavra funeral deriva da palavra latina “funalia”, e significa “tocha”. / “tocha”, porque em outros tempos os sepultamentos eram realizados à noite, e as tochas acesas acompanhavam as procissões.// hoje, as luzes significam a alegria e a esperança na ressurreição.// o funeral é, portanto, uma cerimônia tradicionalmente adotada para a despedida de um ente querido, logo após sua morte. Terminado o funeral, o caixão com o corpo é enterrado.
No início do cristianismo, no tempo das perseguições, a cerimônia do sepultamento dos mártires era festiva, realizada com muito entusiasmo. Era a festa da entrada no céu e da glorificação dos que sofreram e morreram por cristo.
 
Hoje, nos sepultamentos, a igreja nos recorda o dogma do purgatório e implora pelos que padecem no lugar da expiação. O objetivo dos ritos fúnebres é o de abreviar e aliviar este sofrimento.
 
Constatamos que a igreja nos acompanha carinhosamente até a sepultura, e nos segue além do túmulo com suas orações e sacrifícios.// ela nos agracia com a liturgia dos funerais, conhecida entre nós como “ritual das exéquias”, sendo que o termo “exéquias” significa “acompanhar, seguir até o fim os cortejos fúnebres”.// e é isso que nossa mãe igreja faz, suplica ajuda espiritual aos falecidos, honra seus corpos e, ao mesmo tempo, proporciona aos vivos o consolo da esperança. Podemos conferir este ensino no catecismo da igreja católica, a partir do parágrafo 1.680.
 
Quanto ao modo de proceder com os corpos das pessoas falecidas, a igreja recomenda, com insistência, que seja conservado o costume de sepultá-los, e é bom lembrar que sepultar os mortos é uma obra de misericórdia corporal.// portanto, quando falece um indigente, que não tem ninguém por ele, devemos fazer de tudo para dar-lhe uma sepultura digna.// é um ato de zelo e caridade para com o corpo que foi criado à imagem e semelhança de Deus.
 
Muitos perguntam se podemos cremar os corpos... Novamente, é a igreja que expressa este ensinamento no parágrafo 2.301 (dois mil trezentos e um) do catecismo. Ela diz que:
“não impede a cremação sempre e quando o corpo humano não for nem manipulado, nem muito menos aproveitado por nenhum outro motivo diferente daquele da condução final das cinzas, de modo reverente e respeitoso, a um local apropriado”. A igreja não recomenda que as cinzas sejam depositadas num lugar da casa onde moram os familiares do defunto, e também diz que não devemos espalhar as cinzas no mar ou no jardim. A santa mãe igreja mantém a sua voz firme quanto ao respeito e à dignidade da pessoa, mesmo após a morte corporal.
 
O ritual atual prevê que o corpo do defunto seja aspergido com água benta, iluminado com luzes, ou seja, tratado com o máximo respeito.
Os ofícios fúnebres da liturgia da igreja nos transmitem três mensagens:/ a primeira, lembra aos vivos as angústias e os tormentos que passam àqueles que expiam suas faltas no purgatório; a segunda mensagem consiste em estimular a compaixão e a caridade dos vivos em favor dos mortos; e por último, nos é transmitida a mensagem consoladora da ressurreição da carne.//
É importante dizer que devemos participar piedosamente dos funerais. Não podemos fazer dos profundos rituais fúnebres um mero ritualismo... Devemos encarnar realmente o que é rezado nestes ritos.// é lamentável vermos a indiferença e a displicência com que muitos assistem aos velórios: há conversas desnecessárias, piadas, e desrespeito.// estejamos ali para rezar pela alma do defunto, e para renovar nossa certeza do céu, não percamos tempo!
 
Levemos as flores, as velas, mas, sobretudo, ofereçamos nossas orações e sacrifícios pelos que morreram.// que o pai das luzes renove em nós a fé na ressurreição e na vida eterna!
 
Maria Santíssima, como mãe que é não desampara as almas. Está sempre pronta a socorrê-las...
 
Santa Brígida, uma mística do século quatorze teve diversas revelações do Senhor e também visões marianas. Em uma delas, a virgem santíssima afirma que “É a rainha do céu, que é a mãe da misericórdia e o caminho por onde os pecadores voltam a Deus”. Assim, pela intervenção desta boa mãe, as penas no purgatório podem não só serem aliviadas, mas também diminuídas. É o que constata outra revelação dada à Santa Brígida em que vira o próprio Jesus dizer à sua mãe: “Tu és minha mãe, és a rainha do céu, és a rainha de minha misericórdia, és o consolo dos que estão no purgatório e a esperança dos pecadores na terra.”
 
Rezar pelos mortos, fazer boas obras, oferecer o sacrifício da Santa Missa são atos que não só podem aliviar as penas das almas do purgatório, mas também podem libertá-las desta condição, e isto é, um dogma da Igreja católica, ou seja, uma verdade de fé.  Considerando então, a alta dignidade de Maria, a mãe de Deus, podemos concluir que a sua intercessão pelas almas, não só é poderosa, mas extremamente válida. Aquela que se compadeceu dos noivos por ter acabado o vinho da festa de casamento, não deixaria de compadecer das benditas almas que tanto sofrem nas chamas expiadoras do purgatório.
 
Existem muitas maneiras do poder misericordioso de Maria socorrer às benditas almas padecentes. O padre “Jão Baptista Terrian”, em sua obra “a Mãe de Deus e a Mãe dos Homens”, diz que o meio geralmente utilizado por Nossa Senhora é o de inspirar aos fiéis, ainda vivos neste mundo, que tenham grande desejo de orar, sofrer e trabalhar pela libertação das pobres almas..//
 
Quantas vezes por meios das aparições, Maria Santíssima pediu orações pelos mortos... Vejamos, por exemplo, em suas aparições em Fátima, ela ditou a jaculatória que rezamos a cada mistério do Santo Rosário: “Oh meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo e do inferno, levai as almas todas para o céu, e socorrei principalmente àquelas que mais precisarem”.//
 
Não há dúvida, Maria ajuda os seus filhos da Igreja padecente, que são as almas benditas, inspirando sacrifícios aos seus filhos da Igreja militante, que somos nós, os vivos.// além disso, como se não bastasse, Nossa Senhora ainda oferta os próprios padecimentos que ela mesma teve na terra, juntamente com os méritos de seus atos de amor pela libertação das almas.// a Igreja confirma a eficácia da intercessão de Nossa Senhora, quando ora na missa pelos fiéis defuntos: “
Confirma ainda de modo especial, a intercessão da Mãe por meio do título de Nossa Senhora do Carmo que apareceu a São Simão Estoque, carmelita inglês que viveu no século treze.  E ao Papa João XXII. Nossa Senhora do Carmo é chamada de “A rainha do purgatório”. Vejamos como foi a aparição a São Simão Estoque://
 
São Simão Estoque, estava em profunda oração quando viu aparecer à Mãe de Deus, ela estava cercada de anjos, e mostrava a ele o santo escapulário da ordem carmelita.// e o que é um escapulário?// Escapulário é um vestuário usado em alguns institutos para recobrir o peito e as costas dos hábitos de monges e freiras,. Ele servia, geralmente, para os tempos de trabalho, para assim proteger o hábito e não sujá-lo. Com o passar do tempo, o escapulário foi ganhando popularidade, e hoje o encontramos de diversos modelos, e adequando-se a todos que desejarem usá-lo.  A Virgem Maria disse a São Simão Estoque: "Este será o privilégio para você e para todos os carmelitas, quem morrer vestindo o escapulário será salvo".
 
Depois desta aparição, Simão Estoque mandou distribuir o escapulário aos monges da ordem para tranquilizá-los. Esta aparição foi confirmada setenta anos depois, após uma aparição da Mãe do Carmo ao Papa João XXII.//
 
A igreja confirma esta devoção dos carmelitas, em um decreto publicado em Roma, em quinze de fevereiro de mil seiscentos e quinze. No decreto se lê:
“Pode o povo cristão piamente crer que a bem-aventurada virgem ajudará com especial proteção, depois da morte, e principalmente no dia de sábado, consagrado pela Igreja à mesma virgem, as almas dos irmãos da confraria de Nossa Senhora do Carmo que morreram na graça de Deus”.
 
Como já dissemos, os mortos são muito esquecidos.
 
Os vivos os choram pouco tempo e depois os abandonam para sempre ao esquecimento, quanta dor eles experimentam diante deste esquecimento, este abandono! Hoje, no programa vamos meditar sobre as almas abandonadas no purgatório.//
 
Existem no purgatório as almas que chamamos de as mais abandonadas. De acordo com revelações particulares a vários santos, são inumeráveis. Nenhuma Santa Missa, nenhuma oração, nenhum sacrifício sequer são oferecidos pelos entes queridos a essas almas.//
 
O gemido é angustioso, pois a mão da justiça de Deus fere as pobres almas para purifica-las, e elas só dependem de nós, das nossas orações e sacrifícios.
 
Quando são abandonadas pelos seus entes queridos, clamam, mas em vão. Não são ouvidas, porque seus amigos e parentes estão preocupados com os prazeres, as honras, o dinheiro e as vaidades, nem querem pensar nos mortos e nem se lembram de fazer uma oração em favor das almas.
 
Tenhamos caridade e piedade das pobres almas sofredoras e principalmente por aquelas que não deixaram ninguém neste mundo para rezar por elas. Deus não vai permitir que sofra muito no purgatório quem socorreu os mortos.
Se ao invés de flores e túmulos pomposos, orássemos e fizéssemos boas obras e oferecêssemos muitas vezes a santa missa pelos mortos, não haveria tantas almas abandonadas.
 
Por indiferença dos vivos e falta de fé mais viva no dogma do purgatório as pobres almas são abandonadas, estão entregues à divina justiça, pois sabemos que para entrar no céu é preciso uma grande santidade.
Devemos ter cuidado para não santificarmos nossos mortos, ainda que deram provas de grande virtude. Desconhecemos os rigores da divina justiça. Por isso rezemos incansavelmente pelas almas do purgatório. Não abandonemos uma só alma, mesmo que pareça que ela tenha sido condenada.
 
Muitos santos tiveram devoção pelas almas abandonadas, como por exemplo, Santa Catarina de Gênova, Santa Catarina de Sena, Santo Afonso de Ligório, São Francisco de Sales e principalmente São Vicente de Paulo, que passou a vida ajudando os abandonados e infelizes na terra e com a mesma dedicação se voltava para as almas abandonadas no purgatório.
 
Só a igreja que não se esquece dos seus filhos, pois cada dia sem se cansar, em milhares de altares em todo o mundo, lembra-se dos mortos, diante da hóstia divina.
Que todas as almas estejam em nossas lembranças e em nossos sacrifícios e orações. Depois da morte veremos quanto nos foi proveitoso esta bela devoção e este generoso ato de caridade. Imitemos os santos que acudiam generosamente as almas mais abandonadas.
 
 
Salmo do dia: É o Senhor quem me sustenta e me protege!
 
A via sacra e o rosário são alivio para as almas do purgatório é uma fonte de indulgências e de riquezas espirituais.
 
É sobre esse tema que vamos falar no programa de hoje.//
A meditação da paixão e morte do nosso Divino Redentor nos lembra o sangue preciosíssimo derramado pela salvação das almas e nos faz pedir por este mesmo sangue a libertação do purgatório.
 
É uma devoção santificadora para nós e um sacrifício precioso para as pobres almas.//
São Boaventura afirmou que o exercício da via sacra é o caminho rápido de graça para nossas almas. A paixão de Jesus cristo é remédio para nossa alma pecadora, e seu sangue precioso cairá sobre as almas como um doce refresco. Assim, incentivava os fiéis a rezarem a via-sacra./
 
COMO A VIA SACRA, O ROSÁRIO TAMBÉM É UM TESOURO PARA OS MORTOS.
 
São Domingos, pregando sobre a eficácia do rosário em favor das almas sofredoras teve uma misteriosa visão, em que as almas do purgatório precipitavam nos abismos do purgatório e maria santíssima, com uma corrente de ouro, as tirava do abismo e as colocava em terra firme. Era uma imagem do rosário, a cadeia de ouro pela qual nossa senhora arrancava do purgatório as pobres almas sofredoras.//
Quantos prodígios faz o rosário em favor de seus devotos na vida, na morte e no purgatório! Além do mais o rosário é um tesouro de muitas indulgências que podemos aplicar em sacrifícios das pobres almas. Vamos rezá-lo sempre, nas horas vagas, pelas ruas e estradas, em toda parte, não percamos tempo./
Aproveitemos para rezar muitos Rosários pelas nossas pobres almas. Vamos aliviá-las com a oração do nosso Santo Rosário e a Dolorosa via sacra.//
Outra devoção muito valiosa para as pobres almas é o salmo dos mortos, das profundezas, o salmo 129 na bíblia ave maria.  É um dos sete salmos penitenciais. Podemos refletir este salmo em vários sentidos, no primeiro e segundo versículo o salmista, imerso na profundeza dos pecados, invoca a Deus. No terceiro e quarto meditamos a nossa condição de pecador, e só a confiança e o perdão de Deus pode nos salvar. Já o quinto e sexto nos mostra que o pecador confiante espera ardentemente o perdão de Deus. Nos versículos seis, sete e oito o povo de israel também alimenta esta mesma esperança de perdão e de redenção.//
Esta é uma oração que podemos aprender e recitá-la sempre para os nossos mortos com fervor aliviando as benditas almas do purgatório.
 
Nós católicos não temos desculpas para não rezar pelos mortos. Como vimos, temos várias orações e práticas devotas para a libertação das pobres almas.//
 
Podemos escolher a segunda-feira consagrada pela tradicional piedade do povo como o dia da semana de devoção por excelência às almas do purgatório. Neste dia podemos dar esmolas, visitar os doentes, fazer alguns sacrifícios, participar da santa missa entre outros em favor das pobres almas./
Então, convido você a ser mais piedosos com as almas do purgatório rezando por elas, como vimos temos várias formas de salvá-las.//
Oração das mil almas //
 
Eterno Pai eu vos ofereço o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino filho Jesus, em união com todas as missas que são celebradas em todo o mundo, por todas as santas almas do purgatório, pelos pecadores de todos os lugares, de toda igreja, pelos de minha casa e pelos meus vizinhos, amém. //
Ave Maria
 
Que as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia divina descansem em paz.
 
O Senhor nos abençõe, nos livre de todo o mal e nos conduza a vida eterna. Amém.
 
Salmo do dia:
Os céus proclamam a glória do senhor!
 
Temos dois meios para entrar no céu: pela inocência e pela penitência. Se quisermos salvar a nossa alma, somos obrigados a fazer penitência. Neste programa meditaremos como podemos aplicar a penitência como sacrificio das almas do purgatório.//
 
São joão crisóstomo dizia que tudo que nos faz sofrer, devemos ter como meio para aliviar as almas do purgatório,  porque deus tem cuidado de aplicar aos mortos os méritos dos vivos. Isto significa que devemos sofrer para que os nossos mortos sofram menos no purgatório.//
 
Talvez não consigamos fazer grandes sacrifícios pelos mortos, então, tenhamos generosidade para os pequenos, como sacrificar o prazer, uma má leitura, uma afeição perigosa, uma vaidade, entre outros.//
 
Que jesus crucificado nos ajude a entender o valor do sofrimento e que ele seja para nós objeto de consolação e de esperança.//
 
Todos nós carregamos uma cruz e ela nos traz muitos sofrimentos que devem ser oferecidos para aliviar o fogo purificador do purgatório, pela salvação e pelo resgate das dívidas das almas padecentes. //
 
Quem muito sofre pode salvar muitas almas de sacerdotes missionários e de apóstolos da palavra. Santa teresinha do menino jesus experimentou o verdadeiro valor do sofrimento. Ela mesma disse que:”pelo sofrimento e as perseguições, muito mais que as brilhantes pregações, deus quer firmar seu reino nas almas. Nossos sacrifícios,  nossos esforços, e o mais obscuro de nossos atos não estão perdidos.”//
 
Devemos aproveitar as cruzes do nosso dia a dia, as enfermidades, os aborrecimentos, as contrariedades, e tantas outras coisas que vão nos crucificando e  oferecê-las como alívio pelas almas.//
 
Algumas pessoas, com a aprovação do seu confessor, oferecem atos heróicos pelas almas.muitos santos puderam fazer esta oferta generosa pelos mortos.//
 
O pai de santa catarina de sena era um homem muito piedoso, após sua morte, ela pediu ao senhor que o levasse sem demora para o céu, e em troca se ofereceu para sofrer tudo que ele padeceria no purgatório. A terrível dor acompanhada da paz que pôde experimentar, foi na verdade o que almas sentem no purgatório.//
 
Se não podemos imitar atos heróicos como este, e assim como tantos outros, que possamos oferecer algum sacrifício pelas pobres almas e pelos nossos defuntos queridos.
 
 
Testemunho:
 
O célebre frei dominicano mateus leconte foi um pregador que converteu muitas pessoas. Depois de uma vida apostólica cheia de méritos, fundou um mosteiro na cidade de jerusalém onde ficou gravemente enfermo. Foi transferido para um hospital e, enquanto esteve internado, pediu à sua piedosa enfermeira que rezasse por ele, porque se assustava  com as contas que devia prestar ao senhor no tribunal do juízo.//
 
A enfermeira concordou, embora não conseguia entender como um homem tão bom, que fez tanto bem com suas pregações e seu ministério passaria pelo purgatório.//
 
Após a sua morte, a religiosa cumpriu o que prometera ao santo sacerdote. Rezou muito por sua alma. Mas depois de certo tempo, pensando que ele não precisasse mais de suas orações e sacrificios, deixou de rezar.//
 
Um dia ela estava em sua cela quando sentiu um cheiro forte de fumaça. Uma voz lhe disse: “minha filha, reze por  mim, reze muito por mim.” Durante quinze dias, a religiosa sofreu e orou muito pela alma que lhe pedira oração.//
 
Quinze dias depois, a mesma voz misteriosa lhe disse: muito obrigado, minha filha, as tuas orações me aliviaram muito, foram um orvalho purificador para o purgatório que estou padecendo. Eu te peço uma caridade: a de dizer ao superior do convento que fundei, mandar celebrar uma novena de missas pela minha alma”.//
 
Ela foi correndo falar com o religioso que acolheu o seu pedido. No último dia da novena. Depois da santa missa, todos se retiram para suas celas. Então, o padre mateus apareceu a um irmão leigo todo belo, resplandecente e cheio de alegria dizendo que estava partindo par ao céu.//
 

O maior do sulfrágios:

INCONTESTAVELMENTE, NÃO HÁ MAIOR NEM MAIS PODEROSO E EFICAZ SUFRÁGIO QUE POSSAMOS OFERECER A DEUS PELOS DEFUNTOS QUE A SANTA MISSA. A IGREJA NÃO DEFINIU MUITA COISA SOBRE O PURGATÓRIO, MAS O ESSENCIAL DAS SUAS DEFINIÇÕES ESTÁ NESTES DOIS PRINCÍPIOS, DUAS VERDADES DE FÉ QUE SOMOS OBRIGADOS A CRER SE
QUISERMOS PERTENCER AO GRÊMIO DA IGREJA DE NOSSO SENHOR, PORQUE, DO CONTRÁRIO, O ANÁTEMA PESARÁ SOBRE OS DESCRENTES:

O CONCÍLIO DE TRENTO DEFINE A EXISTENCIA DO PURGATÓRIO, COMO JÁ VIMOS, E UMA SEGUNDA DEFINIÇÃO: SE ALGUÉM DISSER QUE O SANTO SACRIFIÍCIO DA MISSA NÃO DEVE SER OFERECIDO PELOS PECADOS DOS VIVOS E MORTOS , PELOS PECADOS, PENAS E SATISFACÕES, SEJA ANÁTEMA. (1) EIS AÍ O SUFRÁGIO POR EXCELÊNCIA, O VERDADEIRO SUFRÁGIO QUE PODEMOS OFERECER PELOS NOSSOS MORTOS, NA CERTEZA DE QUE É SEMPRE EFICAZ E PODEROSO. NO SACRIFÍCIO DO ALTAR SE OFERECE A GRANDE VÍTIMA E O SACRIFICADOR E O PRÓPRIO CRISTO SENHOR NOSSO. E O MESMO SACRIFÍCIO DO CALVÁRIO. TEM O MESMO MÉRITO DA CRUZ. DONDE SE CONCLUI QUE AS ALMAS DO PURGATÓRIO RECEBEM DA SANTA MISSA O MESMO TESOURO DO SANGUE PRECIOSÍSSIMO DE NOSSO SENHOR DERRAMADO NA CRUZ E PELA NOSSA SALVAÇÃO. PODE HAVER MAIOR SUFRÁGIO QUE A SANTA MISSA?

DISTINGUEM-SE QUATRO FRUTOS PRINCIPAIS DO SANTO SACRIFICIO: UM FRUTO GERAL, APLICADO A TODOS OS FIÉIS VIVOS E DEFUNTOS NÃO SEPARADOS DA COMUNHÃO DA IGREJA; UM FRUTO ESPECIAL, APLICADO AOS QUE ASSIS TEM ATUALMENTE A SANTA MISSA; UM FRUTO ESPECIALÍSSIMO AOS QUE MANDAM CELEBRAR A SANTA MISSA, E UM FRUTO MINISTERIAL , QUE PERTENCE AO CELEBRANTE E E INALIENÁVEL.

ORA, QUEM NAO PODE APROVEITAR POIS ESTE GRANDE TESOURO DA IGREJA, OFERECIDO CADA MANHÃ EM NOSSOS ALTARES? NÃO HÁ OBRA MAIS AGRADÁVEL A DEUS NEM MAIS MERITÓRIA E PRÓPRIA PARA ALIMENTAR A VERDADEIRA PIEDADE, QUE A ASSISTÊNCIA A SANTA MISSA. "NÃO HÁ MAIOR SOCORRO AS ALMAS DO PURGATÓRIO”, DISSE D. GUERANGER, O ILUSTRADO E PIEDOSO BENEDITINO “ L’ ANNÉ LITURGIQUE”. ”QUANDO O PADRE CELEBRA, DIZ A IMITAÇÃO DE CRISTO, HONRA A DEUS, ALEGRA OS ANJOS, EDIFICA A IGREJA, AJUDA OS VIVOS, PROCURA O DESCANÇO PARA OS MORTOS E SE TORNA PARTICIPANTE DE TODOS OS BENS" .

A SANTA MISSA E A RIQUEZA DO PURGATORIO, A ESPERANÇA DAS SANTAS ALMAS SOFREDORAS. NÃO PODEMOS OFERECER NADA MELHOR E NADA MAIS EFICAZ PARA ALIVIÁ-
LAS QUE O SANTO SACRIFÍCIO. A MISSA E O SOL DA IGREJA, DIZ SAO FRANCISCO DE SALES, VI O SOL QUE DISSIPA AS TREVAS DO PURGATÓRIO. PODEMOS TALVEZ DUVIDAR AS VEZES DA EFICÁCIA E DO PODER DE NOSSAS ORAÇÕES FEITAS COM TANTAS DISTRACÕES E EM CONDICÕES TÃO PRECARIAS; MAS, DO PODER E DA EFICACIA DO SANTO SACRIFICIO, NO QUAL SE OFERECE O SANGUE DE JESUS CRISTO PELAS ALMAS, QUE DIIVIDA NOS PODE FICAR DO VALOR DESTA OBRA? NÃO PODEMOS FAZER NADA MAIOR NEM MELHOR DO QUE OFERECER O SANTO SACRIFÍCIO PELAS ALMAS.

O TESOURO DAS ALMAS

SIM, A SANTA MISSA E O TESOURO DAS POBRES ALMAS. NENHUM MEIO E MAIS PODEROSO E EFICAZ PARALIBERTÁ-LAS, JÁ O VIMOS. SAO LEONARDO DE PORTO MAURÍCIO, QUE FOI UM GRANDE APÓSTOLO E DEVOTO DO SANTO SACRIFÍCIO, DIZIA: "QUEREIS UMA PROVA DE QUE A MISSA TRAS ALÍVIO AS POBRES ALMAS? OUVI UM DOS MAIS SÁBIOS DOUTORES DA IGREJA, SÃO JERÔNIMO: "DURANTE A CELEBRAÇÃO DE UMA MISSA POR UMA ALMA SOFREDORA, ESTAALMA PODE SER PRESERVADA DE TODO OU EM PARTE DA PENA DO FOGO. EM CADA MISSA QUE SE CELEBRA, DIVERSAS ALMAS SÃO LIVRES DO PURGATÓRIO. REFLETI AINDA NISTO: A VOSSA CARIDADE POR ESTAS ALMAS SERÁ DE MUITA VANTAGEM PARA VÓS. Ó MISSA BENDITA, ÚTIL A UM TEMPO PARA OS VIVOS E OS MORTOS! NO TEMPO E NA ETERNIDADE!" PERMITI QUE VOS DIRIJA UMA SÚPLICA, ACRESCENTA SÃO LEONARDO, E QUERO VOS PEDIR DE JOELHOS:
“TOMAI A FIRME RESOLUÇÃO DE OUVIR OU DE FAZER CELEBRAR TODAS AS MISSAS QUE VOSSAS OCUPAÇÕES E VOSSOS RECURSOS VOS PERMITIREM, NÃO SÓ PELOS DEFUNTOS MAS TAMBÉM POR VOSSAS ALMAS. DOIS MOTIVOS DEVEM VOS DECIDIR: O PRIMEIRO MOTIVO, ALCANÇAR UMA BOA MORTE... ÓH!, COMO SERÁ DOCE E TRANQUILA A MORTE DE QUEM EMPREGOU SUA VIDA EM ASSISTIR O MAIOR NÚMERO DE MISSAS QUE PODE! O SEGUNDO MOTIVO E ALCANÇAR PARA VÓS MESMOS O IMENSO FAVOR DE ROUBAR O CÉU ATÉ SEM PASSAR PELO PURGATÓRIO, OU ABREVIAR MUITO O TEMPO DE PERMANÊNCIA NAQUELAS CHAMAS EXPIADORAS."

AO BEATO JOAO D'AVILA, AO CHEGAR AOS ÚLTIMOS INSTANTES DA VIDA, PERGUNTARAM O QUE MAIS DESEJARIA DEPOIS DA MORTE: “ MISSAS! MISSAS! MISSAS!”. SANTA MÔNICA ESTAVA AS PORTAS DA ETERNIDADE NO LEITO DE MORTE, DISSE AO FILHO QUERIDO, AGOSTINHO QUE IHE CUSTARA TANTAS LAGRIMAS E QUE A HAVIA ENCHIDO DE TANTAS CONSOLAÇÕES NOS ÚLTIMOS DIAS: “ MEU FILHO, LOGO NÃO TEREIS MÃE. QUANDO EU NÃO ESTIVER MAIS NESTE MUNDO, REZAI PELA MINHA ALMA, NÃO TE ESQUECAIS DAQUELA QUE TANTO VOS AMOU.NO SACRIFÍCIO DO CORDEIRO SEM MANCHA, RECOMENDAI MINHA ALMA A DEUS”.

O SANTO DOUTOR JAMAIS SE ESQUECEU DA RECOMENDAÇAO MATERNA. CHOROU MUITO QUANDO MORREU SANTA MONICA, MAS SUAS LÁGRIMAS FORAM SEMPRE ACOMPANHADAS DE MUITAS PRECES FERVOROSAS E SUFRÁGIOS. "DEUS DE MISERICÓRDIA, DIZIA ELE , PERDOAI A MINHA MÃE E NÃO ENTREIS EM JUÍZO COM ELA. LEMBRAI-VOS DE QUE ANTES DE DEIXAR ESTE VALE DE LÁGRIMAS, NÃO PEDIU PARA OS SEUS RESTOS MORTAIS FUNERAIS POMPOSOS, MAS SOMENTE QUE VOSSOS MINISTROS SE LEMBRASSEM DELA NO ALTAR DO DIVINO SACRIFÍCIO".

O BEM-AVENTURADO HENRIQUE SUSO FEZ UM CONTRATO COM UM DOS AMIGOS MUITO ÍNTIMOS: "O QUE MORRESSE PRIMEIRO, TERIA UM CERTO NÚMERO DE MISSAS QUE O OUTRO SOBREVIVENTE SE OBRIGARIA A MANDAR CELEBRAR O MAIS DEPRESSA POSSÍVEL." O AMIGO DO BEM-AVENTURADO PARTIU PRIMEIRO PARA OUTRA VIDA. ALGUM TEMPO DEPOIS, APARECEU A HENRIQUE SUSO, GEMENDO DE DOR E A SE QUEIXAR: “AI! JÁ TE ESQUECESTES DA PROMESSA..,— NÃO, MEU AMIGO, RESPONDE O BEM-AVENTURADO, EU NÃO CESSO DE REZAR PELA TUA ALMA DESDE QUE MORRESTE...” — ÓH! MAS ISTO NÃO ME BASTA, NÃO, NÃO BASTA, GEME O DEFUNTO; FALTA-ME, PARA APAGAR AS CHAMAS QUE ME ABRASAM, FALTA-ME O SANGUE DE JESUS CRISTO! O SANGUE DE JESUS CRISTO!"

O BEM-AVENTURADO COMPREENDEU LOGO QUE FALTAVAM AS MISSAS.

NO DIA SEGUINTE AO DA APARIÇÃO, FOI LOGO A IGREJA PEDIR MUITAS MISSAS PELO AMIGO DEFUNTO. OBTEVE DIVERSAS NESTA INTENÇÃO, O AMIGO LHE APARECE JÁ GLORIFICADO E AGRADECE-LHE FELIZ: “MEU QUERIDO AMIGO, MIL VEZES AGRADECIDO! GRAÇAS AO SANGUE DE JESUS CRISTO SALVADOR, ESTOU LIVRE DAS CHAMAS EXPIADORAS. SUBO AO CÉU E LÁ NUNCA TE ESQUECEREI! “

MISSAS GREGORIANAS

QUE SÃO AS MISSAS GREGORIANAS? ANTES DE RESPONDER, VEJAMOS A SUA ORIGEM.
NUM MOSTEIRO DE SÃO GREGÓRIO, UM MONJE CHAMADO JUSTO, CONTRARIANDO O VOTO DE POBREZA A QUE SÃO OBRIGADOS OS RELIGIOSOS, SE APODEROU DE TRÊS MOEDAS DAS DE OURO. QUANDO ESTAVA PARA MORRER, ARREPENDIDO, CONFESSOU A UM SEU IRMÃO A FALTA. REALMENTE,SE ENCONTRARAM AS TRÊS MOEDAS ENTRE OS GUARDADOS DO DEFUNTO MONJE.

CHEGOU ISTO AO CONHECIMENTO DE SÃO GREGÓRIO. O SANTO, QUE ZELAVA TANTO A DISCIPLINA E TINHA HORROR A VIOLAÇÃO DO VOTO DE POBREZA, PROIBIU QUALQUER VISITA AO ENFERMO. SENTINDO-SE ABANDONADO, QUEIXOU-SE. É O CASTIGO DA TUA FALTA CONTRA A POBREZA, DISSERAM-LHE.

MORREU O IRMÃO JUSTO POUCO DEPOIS E SÃO GREGÓRIO NÃO PERMITIU QUE FOSSE SEPULTADO ENTRE OS SEUS IRMAOS. MANDOU LANÇÁ-LO NUMA SEPULTURA, FORA DO CONVENTO, E AS TRÊS MOEDAS DE OURO FORAM ENTERRADAS COM ELE, ENQUANTO A COMUNIDADE REPETIA AS PALAVRAS DE SAO PEDRO A SIMÃO DE SAMARIA: PEREÇA CONTIGO O TEU DINHEIRO!
ISTO PRODUZIU UMA IMPRESSÃO PROFUNDA ENTRE OS MONJES, QUE DALI POR DIANTE SE DESPOJARAM DE TUDO E VIVERAM NA MAIS ESTRITA POBREZA. TRINTA DIAS DEPOIS, SÃO GREGÓRIO, ENTRETANTO, COMPADECIDO DA ALMA DO POBRE MONJE, MANDOU CELEBRAR VÁRIOS DIAS A SANTA MISSA POR SUA ALMA. APARECEU A ALMA DE JUSTO NO FIM DE TRINTA DIAS E DISSE: "ATÉ AGORA ESTAVA MUITO MAL E SOFRIA MUITO, MAS AGORA ESTOU MUITO BEM, FUI ADMITIDO NA COMPANHIA DOS SANTOS". E DESAPARECEU.

O IRMÃO NARROU AOS SUPERIORES E CONTARAM JUSTAMENTE TRINTA DIAS DESDE A PRIMEIRA MISSA CELEBRADA. DAI A ORIGEM DE SE MANDAR CELEBRAR AS MISSAS CHAMADAS GREGORIANAS, EM TRINTA DIAS SEGUIDOS. SEGUNDO A CRENÇA PIEDOSA, ELAS LIBERTAM AS ALMAS POR QUEM É OFERECIDA. EIS A ORIGEM DAS MISSAS GREGORIANAS. A FE QUE TEM O POVO CRISTÃO NA EFICÁCIA DESTAS SANTAS MISSAS GREGORIANAS E PIEDOSA E RACIONAL E APROVADA PELA IGREJA, DIZ A SAGRADA CONGREGAÇÃO DAS INDULGÊNCIAS.— DECRETO — 11 DE MAR§O DE 1884.

AS CONDIÇÕES SÃO AS SEGUINTES; AS TRINTA MISSAS DEVEM SER CELEBRADAS EM TRINTA DIAS CONTINUES E SEM INTERRUPÇÃO. SE POR ACASO NESTES DIAS CAÍREM OS TRÊS ÚLTIMOS DIAS DA SEMANA SANTA, A INTERRUPÇÃO NÃO ALTERA. PODEM SER CELEBRADAS DEPOIS EM SEGUIDA. ASSIM DECIDIU O PAPA BENTO XIV. DEVEM SER APLICADAS AS TRINTA MISSAS POR UMA SÓ E A MESMA ALMA E NÃO POR DIVERSAS. A ALMA CUJA LIBERTAÇÃO DO PURGATÓRIO SE DESEJA. TODAVIA, NÃO É NECESSÁRIA QUE AS MISSAS SEJAM CELEBRADAS PELO MESMO SACERDOTE, NUMA MESMA IGREJA E ALTAR.

TAMBÉM NÃO É NECESSÁRIO QUE SEJAM MISSAS DE RÉQUIEM, DE PARAMENTO PRETO, ETC., MESMO NOS DIAS EM QUE AS RUBRICAS O PERMITAM. SERIA LOUVÁVEL E SE RECOMENDA MUITO QUE O FAÇAM MAS, NÃO HÁ OBRIGAÇÃO. O ESSENCIAL É QUE SEJAM CELEBRADAS TRINTA MISSAS POR UM DEFUNTO EM TRINTA DIAS CONSECUTIVOS.

EIS O QUE SÃO, E AS CONDIÇÕES DAS MISSAS GREGRORIANAS.

POR QUE DEIXAR ESTE TESOURO, QUANDO NOS É POSSÍVEL MANDAR APLICÁ-LO NO RESGATE DE ALMAS DE ENTES QUERIDOS NOSSOS?

E X E M P L O

SÃO NICOLAU DE TOLENTINO, ADVOGADO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

SÃO NICOLAU DE TOLENTINO É UM DOS SANTOS MAIS PRODIGIOSOS DA IGREJA. A VIDA DESTE GRANDE TAUMATURGO É UM TECIDO DE MILAGRES E PRODÍGIOS QUE RARAMENTE SE ENCONTRAM EM OUTROS SANTOS DA IGREJA. O PAPA EUGÊNIO IV DISSE: "NAO HOUVE SANTO DESDE O TEMPO DOS APÓSTOLOS QUE SUPERASSE A SÃO NICOLAU DE TOLENTINO EM NUMERO E GRANDEZA DE MILAGRES". DENTRE AS OBRAS DE CARIDADE DO GRANDE SANTO, A PRINCIPAL ERA O SOCORRO AS SANTAS ALMAS DO PURGAT6RIO. FEZ SE O PROTETOR DO PURGATÓRIO E ADVOGADO DAS ALMAS. É CELEBRE O SEGUINTE PRODÍGIO. EM UM SÁBADO, O SANTO SE ENCONTRAVA NA ERMIDA DE VALVAMANENTE, JUNTO DA CIDADE DE PEZARO, ONDE HAVIA SIDO ENVIADO PARA PREGAR UMA MISSÃO.

HAVIA ORADO MUITO E FEITO MUITA PENITÊNCIA, MALTRATANDO O CORPO INOCENTE COM DURAS DISCIPLINAS. RESOLVEU TOMAR UMA HORA DE REPOUSO SOBRE UM LEITO DURO. MAL HAVIA COMEGADO A DORMIR, QUANDO FOI DESPERTADO POR GEMIDOS LANCINANTES E DOJIDOS COMO NUNCA OUVIRA IGUAIS. UMA VOZ GEMIA:
— IRMÃO MEU, NICOLAU, HOMEM DE DEUS, OLHA ME POR FAVOR, NÃO ME CONHECES?
— DIZE-ME QUERN ES, DIZ O SANTO, EU QUERO AJUDAR-TE. QUE POSSO FAZER PARA TE ALIVIAR?
E UMA SOMBRA PALIDA SE MOVIA NO AR:
— AH! NICOLAU, EIS AQUI O TEU CARISSIMO IRMÃO FREI FEREGRINO DE O SINO. HÁ MUITO TEMPO QUE ESTOU ATORMENTADO NAS CHAMAS DO PURGATÓRIO ONDE ME ENCONTRO PELA MISERICÓRDIA DE DEUS, DEVIDO AOS TEUS GRANDES MÉRITOS, EMBORA OS MEUS PECADOS ME TENHAM VALIDO A CONDENAÇÃO ETERNA. SE CELCBRARES AMANHÃ POR MIM O SANTO SACRIFIÍCIO DA MISSA, AMANHÃ MESMO EU ME LIVRAREI”.

CHEIO DE AMARGURA, O CORACAO DE NICOLAU PARECIA ESTALAR DE DOR. VIU QUE A OBEDIÊNCIA NÃO LHE PERMITIRIA CELEBRAR AQUELA MISSA: — MEU IRMÃO, JESUS CRISTO, POR SEU PRECIOSÍSSIMO SANGUE TE SEJA PROPÍCIO, MAS NÃO PASSO TE ATENDER; POIS SOU OBRIGADO PELA OBEDIÊNCIA A CELEBRAR ESTA SEMANA TODA NAS INTENÇÕES DA COMUNIDADE.
— O VENERAVEL PADRE, ENTÃO, QUEIRA ME ACOMPANHAR, JÁ QUE OS MEUS TORMENTOS NÃO TE COMOVEM PARA SANTA MISSA. VERÁS OS SOFRIMENTOS DAS MULTIDÕES DE POBRES ALMAS QUE IMPLORAM TEU SUFRÁGIO.

EM POUCOS INSTANTES O SANTO SE VIU LEVADO AO ALTO DE UMA MONTANHA BANHADA DE LUZ E CHEIA DE BELEZA, MAS AOS PÉS DESTE MONTE, NUM IMENSO VALE, NUM ESPETÁCULO TRISTE ENCHEU DE HORROR AO SANTO. MULTIDÕES DE ALMAS SE RETORCIAM DE DOR NUM BRAZEIRO IMENSO E GEMIAM DE CORTAR O CORAÇÃO. AO PERCEBEREM O SANTO NO ALTO DA MONTANHA, BRADAVAM SUPLICANTES, ESTENDENDO OS BRAÇOS E PEDINDO MISERICÓRDIA E SOCORRO. "PADRE NICOLAU, DIZ FREI PEREGRINO, TEM PIEDADE DESTAS POBRES ALMAS QUE IMPLORAM TEU SOCORRO. SE CELEBRARES A SANTA MISSA POR NOS, QUASE TODAS SEREMOS LIBERTADAS DE NOSSOS DOLOROSOS E HORRÍVEIS TORMENTOS"

NICOLAU NÃO PODE SE CONTER. COMO MOISÉS, PASSOU A NOITE COM OS BRAÇOS ESTENDIDOS EM CRUZ, IMPLORANDO MISERICÓRDIA. DEPOIS, FOI TER COM O SUPERIOR E CONTOU A VISÃO, OBTEVE LICENÇA PARA CELEBRAR A SANTA MISSA DURANTE SETE DIAS EM SEGUIDA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO.

FREI PEREGRINO DURANTE A MISSA DO SANTO APARECEU-IHE RESPLANDECENTE DE GLÓRIA CERCADO DE UMA MULTIDAO DE ALMAS LIBERTADAS DO PURGATÓRIO QUE SUBIAM AO CÉU. DESDE ENTÃO VIU A SÃO NICOLAU O TÍTULO DE PROTETOR DAS ALMAS DO PURGATÓRIO. DAÍ TAMBEM A ORIGEM DO PIEDOSO COSTUME DE MANDAR CELEBRAR SETE MISSAS EM SETE DIAS CONSECUTIVOS PELAS ALMAS DOS DEFUNTOS QUERIDOS, PAIS, PARENTES, AMIGOS, ETC.

S. SANTIDADE BENTO XV CONCEDEU EM 15 DE MAIO DE 1920 0 PRIVILÉGIO DE QUE AS MISSAS CELEBRADAS NAS IGREJAS DOS PADRES AGOSTINIANOS DURANTE ESTE DIAS, EM SUFRÁGIO DE ALGUM DEFUNTO, SEJAM CELEBRADAS COMO AS DE ALTAR PRIVILEGIADO.

INVOQUEMOS A SÃO NICOLAU DE TOLENTINO NA NOSSA DEVOÇÃO AS SANTAS ALMAS DO PURGATÓRIO. FOI UM RICO PROTETOR DOS DEVOTOS DAS SANTAS ALMAS.
Um sofrimento terrível!
 
Exclamava Jó, o profeta, e com ele repetem as santas almas do purgatório: Tende compaixão de mim! Tende compaixão de mim! ao menos vós que sois meus amigos, porque a mão de Deus me feriu!
 
A Justiça de Deus fere as benditas almas para purificá-las, santificá-las e torná-las dignas do esplendor da glória celeste e da visão de Deus. E que sofrimentos incríveis padecem elas! Que fogo devorador! Fogo que acrisola o ouro e prepara os eleitos para a visão divina, a glória eterna! Sofrer é a condição das almas do purgatório. Pertencem elas à Igreja padecente. Desde que o pecado entrou no mundo, só pela cruz Jesus nos salvou, e só pelo fogo do sofrimento chegamos ao céu. O purgatório foi chamado o oitavo sacramento do fogo. Sacramento da misericórdia na outra vida.
 
As almas do purgatório, diz o teólogo Pe. Fáber, estão num estado de sofrimento que a nada se pode comparar e nem se pode fazer uma ideia. Segundo Santo Tomás e Santo Agostinho, quanto ao sofrimento, as penas do purgatório são comparáveis às do inferno. Santa Catarina de Gênova, após uma visão do purgatório, exclama: Que coisa terrível é o purgatório! Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxime sequer da realidade. Vejo que as penas que lá padecem as almas são tão dolorosas como as penas do inferno.
 
O purgatório tem penas, diz a autoridade de Santo Tomás de Aquino, penas que ultrapassam a todos os sofrimentos deste mundo. É o mais horroroso de todos os martírios. Segundo grandes teólogos e autores, as almas do purgatório sofrem tanto que não há na linguagem humana o que possa traduzir os tormentos terríveis que padecem.
 
Santa Catarina de Gênova, chamada de a teóloga do purgatório, a quem Deus revelou o sofrimento da expiação dos justos, diz ser impossível traduzir na linguagem humana e o nosso entendimento não pode conceber tal sofrimento. É preciso uma graça e uma iluminação especial de Deus para compreender estas coisas, dizia a Santa. "É pior que todos os martírios". "As penas do purgatório são passageiras, não são eternas, diz São Gregório Magno, mas creio que são mais terríveis e insuportáveis que todos os males desta vida".
 
Domingos Soío escreveu: "Si o homem tivesse de suportar os tormentos do purgatório, a dor o mataria num instante. A alma imortal por sua natureza torna-se mais forte pela separação do corpo orgânico e por isto tem capacidade para tanto sofrimento". Há dois sofrimentos, duas penas principais no purgatório: a pena do dano ou separação de Deus, e a pena do sentido, tormento do fogo.
 
A pena do dano
É a pena que sofrem por se verem privadas da visão de Deus no céu. A visão intuitiva que consiste na felicidade de ver a Deus como é. Separada do Soberano Bem, a alma sente um horrível martírio mais insuportável do que todo os tormentos que possa padecer e até do fogo do purgatório em que se acha.
 
Santo Tomás de Aquino tratando da pena do dano, diz ser mais insuportável, maior e mais terrível que a pena do sentido. Não ver a Deus, não possuí-Lo, único encanto da pobre alma que já não tem mais nada que a possa seduzir ou enganar, e deixá-la esquecida da Suprema Felicidade!
 
Aqui neste mundo a tibieza, o apego à terra e nossa fraqueza, fazem com que muitas vezes nos esqueçamos de Deus e vivamos sem sentir e nem imaginar sequer o que  seja estar separado de Deus. Há quem não possa sequer imaginar o que possa haver de sofrimento nesta ausência de Deus que é a pena do dano. Quando a alma separada deste corpo mortal sentir a necessidade de voar para Deus, de possuir a Deus, atraída pelo Bem Infinito, sedenta da posse de Deus e da Eternidade, então há de sentir, há de perceber quanto é doloroso e horrível estar um minuto que seja separada do Bem Soberano, separada de Deus! É a horrível pena do dano.
 
"Sentir um ímpeto do ir para Deus sem o poder satisfazer, isto, diz Santa Catarina de Gênova, é o maior sofrimento que se possa imaginar, é propriamente o purgatório.'Este estado é um estado de morte, uma angústia inenarrável".
 
A Liturgia da Igreja chama-o com razão de morte: Sabeis o que é o suplício de quem está sufocado e não pode respirar? Que horror! A alma está como sufocada, não pode respirar o que é a vida e razão de ser, Deus, o Infinito, o Eterno, o Paraíso! A pobre alma no purgatório se precipita no tormento e no fogo, quer se purificar, suspira pelo Bem Eterno, sofre e sofre, mas deseja mais sofrimento para que chegue logo a hora de contemplar o seu Deus, a Eterna Beleza que o atormenta naquelas chamas da expiação!
 
Podemos dizer que se Deus por um milagre da sua Onipotência não sustentasse as almas do purgatório, elas ficariam aniquiladas de dor longe daquele Deus que amam apaixonadamente. Se compreendêssemos melhor como é horrível a separação de Deus! ... saberíamos avaliar o que é e o que faz sofrer esta terrível pena do dano!
 
O fogo do purgatório
Além do sofrimento da pena do dano a Igreja nada definiu sobre a natureza das outras penas do purgatório. O Concílio de Florença diz que as almas são privadas temporariamente da visão beatífica e são purificadas de toda mancha por penas expiadoras e purificadoras. Dentre estas penas está a dos sentidos, e concordam quase todos os autores, se trata da pena do fogo.
 
Há fogo no purgatório e um fogo terrível criado pela Justiça Divina para purificação dos justos, para acrisolar o ouro das almas. Os teólogos em geral e em sentença comum, afirmam que se trata de um fogo verdadeiro e não metafórico. Fogo que queima mil vezes mais que o fogo da terra, que comparado a ele não é mais do que o de uma pintura para a realidade. Os Santos Padres e os Teólogos escolásticos admitem o fogo real.
 
Como pode um fogo material atormentar a alma que é espiritual? É um mistério. Todavia, não temos um outro mistério que é o da alma espiritual agir sobre o corpo material? Por que a Justiça de Deus não poderia fazer com que o fogo material agisse sobre a alma espiritual? Diz claramente Santo Tomás de Aquino: "No purgatório há dois sofrimentos: a pena do dano, que consiste no retardamento da visão de Deus, e a  pena dos sentidos, castigo proveniente de um fogo material".
 
As maiores dores são as que afetam a alma, comenta Santo Tomás. Toda a sensibilidade do corpo vem da alma. O que não será uma dor que vem ferir diretamente a alma? Pois o fogo material, fogo misterioso, dotado de um poder extraordinário, pela Justiça Divina, atinge diretamente a alma e a fere dolorosamente.
 
São Boaventura escreve: "O fogo do purgatório é um fogo material que atormenta a alma dos justos que não fizeram penitência neste mundo!”. Façamos penitência agora, aliviemos o fogo de nosso purgatório!
 
Qual a razão de ser do purgatório? É o pecado. É o obstáculo que impede a alma de entrar no céu sem efstar purificada e digna da visão beatífica. O pecado mortal leva ao infenio. Separa para sempre a alma de Deus. Entretanto, veiu o perdão pela infinita misericórdia e o pecador arrependido muda de vida e não mais volta aos seus desvarios. Todavia, não fez a devida penitência, não reparou o seu crime neste mundo por uma penitência.
 
Fica-lhe ainda uma dívida a pagar à Divina Justiça. O pobre pecador culpado de muitas faltas veniais passa desta para outra vida, vai prestar contas a Deus. Aquele Deus de todo santidade, o Santo por excelência, a Justiça mesma, não quer condenar a quem já perdoou, não há de ijerder quem, embora manchado de leve§ culpas, de muitas imperfeições, não é todavia inimigo de Deus, Ciue há de fazer? Levá-lo para o céu, onde nada pode <'ntrar manchado? Impossível! Seria ter uma noção crnida da santidade e da infinita pureza de Deus, admitir oste absurdo.Condenar às penas eternas *lUí'ni, (Embora tivesse pecado, não chegou à culpa líior ííil o não se separou do Senhor porque não perdeu o estado de graça? F.ntão para onde irá a alma assim manchada e não de todo santa e perfeita para o céu? Eis a razão a nos dizer: há de existir uma puinficação além desta vida entre as duas eternidades, um purgatório que nos livre do inferno e que seja o vestíbulo do paraíso, uma expiação necessária para as almas. Pode-se ir para o purgatório por três motivos: primeira, pelos pecados veniais não remidos ou perdoados neste mundo; segundo, pelas inclinações viciosas deixadas em nossa alma pelo hábito
do pecado; terceiro, pela pena temporal devida a todo pecado mortal ou venial cometido depois do batismo e não expiado ou expiado insuficientemente nesta vida.
Depois da morte não há mais reparação nem penitência nem mérito. Havemos de pagar a dívida de nossos pecados até o último ceitil, como diz o- Evangelho . Ora, é necessário o pui-gatório. É um dogma muito conforme à razão e bom senso. A existência do purgatório, dizia o grande Conde De iMaistre, se poia na natureza de Deus e na natureza do homem. Digo — na natureza de Deus. Deus é Santidade, Justiça e Caridade. Como Santo, Deus não pode admitir união entre a sua pureza infinita e nossas manchas, ('omo Deus, é bom, não pode deixar perecer para sempre a obra das suas mãos que lhe implora o perdão. Daí a necessidade de um lugar de expiação. A razão do purgatório também se baseia na natureza do homem. Está na natui'eza humana procurar se purificar para ter um alívio, porque a falta coloca o homem em desharmonia com seu fim último. Ora, a alma não pode se purificar sem sofrimento, sem penas. O purgatório é esta expiação, esta purificação que a alma procura. Para fazer cessar este desacordo entre ela e Deus e torná-la apta para gozar da felicidade  de Deus sem as manchas de suas faltas. Eis aí como é racional e que harmonia no dogma do purgatório!
 
Vemos tantos entes queridos que deixaram esta vida, é verdade, em boas disposições, mas como eram culpados de certas faltas e não haviam feito uma penitência devida, receamos às vezes pela sua salvação. Todavia nos diz o coração que não podiam se perder. Eram bons, tinham qualidades apreciáveis, foram talvez caridosos e fizeram algum bem nesta vida. Admitir que estejam no céu depois de tantas faltas e defeitos e ausência de penitência, não o podemos. Dizer que estejam condenados, é muito duio, e, apesar de tudo, como poderiam ter se perdido almas tão caridosas e boas e que fizeram algum bem neste mundo?
 
A idéia do purgatório se impõe neccssàriamente à nossa razão antes de se impor à nosfsa fé. Escreve o Pe. Fáber: "O purgatório explica os enigmas deste mundo. Dá solução a uma multidão de dificuldades. Em face deste sistema, que poderíamos chamar o oitavo e terrível Sacramento do fogo que atinge as almas, às quais os sete sacramentos não deram uma pureza perfeita.
 
O purgatório é uma invenção de Deus para multiplicar os frutos da Paixão de nosso Salvador e que Ele estabeleceu prevendo a grande multidão de homens que deveriam morrer no amor de Deus, mas num amor imperfeito. Não é uma continuação além-túmulo das misericórdias prodigalizadas no leito de morte? Isto nos esclarece tanto e nos faz supor que muitos católicos se salvam» principalmente os que viveram neste mundo na pobreza, no sofrimento e nas provações. O liogma do purgatório também encontra fundamentos e raízes no coração humano, escreveu Mons. Bougaud. Ê um intermediário entre a Justiça e a Misericórdia, como o divino auxiliar do amor. Tirai o purgatório, e a justiça seria terrível. Seria inexorável. Felizmente, esta aí o purgatório. O Amor infinito o criou.
 
O purgatório não serve apenas para temperar e satisfazer a justiça. Serve também para dilatar a misericórdia. Serve para explicar a misericórdia de Deus que se contenta, na hora da morte, com um pouco de arrependimento do pecador. Não é pois consolador pensar na existência do purgatório, pelo qual se poderão salvar tantas almas?
A impiedade e a heresia, negando o dogma da expiação além-túmulo, se põe contra a razão. O purgatório, diz ainda o célebre Mons; Tiamer Toth, é a melhor resposta aos en-os da reincarnação. Há um sofrimento purificador depois desta vida. O cristianismo ensinou isto muito antes que as filosofias nebulosas do Oriente semeassem na alma do homem moderno o erro da reincarnação, que não tem a seu favor argumento de espécie alguma. Também nós pregamos que há purificação além-túmulo! Esta purificação se faz na justiça de Deus e com o fim de salvar uma alma por toda eternidade e torná la digna da Pureza Infinita, que é Deus. O purgatório é um combate aos erros do espiritismo,porque nos manda orar e sufragar os mortos sem se preocupar em conversar com eles, na certeza de que estão nas Mãos da Divina Justiça e já não podem se comunicar com os vivos. Que dogma racional e de quantos erros e superstições nos livra!
 
 
Com a morte tudo se acaba?
Sim, é verdade, com a morte tudo se acaba. Lá se vão as riquezas, as honras, o luxo, as glórias terrenas e até nosso pobre corpo tão miserável se transforma num monturo asqueroso e horrível. Vamos ao pó donde viemos.
Todavia, temos uma alma imortal, criada à imagem e semelhança de Deus, e esta não se acaba. É espiritual. Então nem tudo se acaba na morte. Fica o principal, a alma. Fica tudo — uma alma remida pelo Sangue de um Deus. Sepultamos nosso cadáver, nosso pobre e miserável corpo. Ficamos nós, porém, vivos e imortais. Não morre nossa alma. A imortalidade de nossa alma é uma verdade tão clara, que nunca houve povo tão bárbaro que nela deixasse de crer.
Com a morte tudo se acaba, quanto ao corpo, até a ressurreição da carne no dia do Juízo. E quanto à alma, então sim é que tudo começa. Começa a eternidade... A vida passa depressa. Somos crianças neste mundo, sempre iludidos pelas bagatelas e loucuras do pecado. Andamos à caça de borboletas de ilusões.
Diz a Escritura: “Irá o homem para a casa da sua eternidade” (Eco 12,5). Morrer é, pois, ir para a casa. Deus é Pai. Iremos pois então para a casa de nosso Pai. Haverá coisa mais bela e mais consoladora? Como é bela a
esperança cristã! Como é horrível o materialismo a considerar o túmulo um punhado de lodo, o último e fatal destino de um homem!
E depois?
 
Depois, quando nossa alma se separar do corpo, todos nós compareceremos ante o Tribunal Divino e seremos julgados. Que dia aquele e que hora tremenda a da sentença! Estaremos em face de duas eternidades: Céu ou Inferno! Depois da morte o Juízo. Daremos contas severas a Deus de tudo. Nossa vida inteira se passou na presença do Senhor que tudo sabe e penetra até os nossos mais secretos pensamentos. "Cada dia, Cada momento de nossa existência, cada respiração, cada batida de nosso pulso, cada manifestação de nosso pensamento tem consequências eternas. E toda esta história sem igual nos será apresentada um dia. Toda a nossa vida, e até as nossas mais secretas intenções irão ao Tribunal de Deus, no dia e na hora em que nossa alma se separar deste corpo de morte.
Quem é o Juiz? Deus Santo, a Santidade em essência. Deus que tudo sabe e tudo vê, Deus que num instante nos apresenta toda a nossa vida, com seus pecados e misérias, bem como as boas obras que fizemos ou deixamos de fazer.
Daremos conta também do abuso da Graça e dos pecados de omissão. Que responsabilidade a do cristão em face da morte! A morte é a porta da eternidade, e ela nos lança, despojados de tudo, sozinhos, com o peso de nossos pecados ou de nossas boas obras, na face do Senhor, do Juiz eterno dos vivos e dos mortos para sermos julgados. Que insensatos são os homens quando nem querem pensar na morte, e procuram se iludir para melhor viveram no pecado! Daremos contas a Deus de nossa vida. Exame rigoroso de tudo... até "de uma palavra ociosa", diz Jesus no Evangelho.
 
E depois? Virá a sentença. Duas eternidades; céu e inferno! Acreditam? Tanto melhor! Não acreditam? — Pois não deixará de existir o inferno, nem o céu deixará de ser a mais consoladora das realidades por que alguns materialistas ou cristãos degenerados não querem crer.
Estamos preparados? Preparados para o Juízo? Então seremos salvos pela Divina Misericórdia se a morte não nos encontrou no pecado e na inimizade de Deus. Somos porém bem puros para comparecermos diante de Deus e entrarmos na vida eterna ? Quanta miséria e fragilidade! E fizemos tão pouca penitência, neste mundo, dos nossos pecados! Resta-nos o purgatório. Para lá iremos quase todos, antes da recompensa eterna. Poderíamos dizer em geral: depois do Juízo... o Purgatório!
No purgatório...
Quando levamos nossos mortos queridos à sepultura. costumamos dizer: descansaram!... Sim, descansaram das fadigas e lutas desta vida que é um modo de dizer expressivo de Jó: a vida do homem neste mundo é um combate. Porém, descansaram já no seio de Deus? Estão já no eterno repouso do céu? A fragilidade humana é tão grande que bem poucos, raríssimos, são os que deixam esta vida e entram logo no céu.
 
Os mortos entraram, sim, na paz do Senhor, mas na paz da Justiça, geralmente na paz da expiação do purgatório. O purgatório é lugar da paz dos eleitos, dos que resignados e cheios de amor e de dor cumprem a sentença e se purificam à espera do céu. Já se chamou ao purgatório, o vestíbulo do paraíso. Sim, nossos mortos descansaram, mas sofrem, e sofrem muito mais do que tudo quanto padeceram nesta vida. O fogo das provações neste mundo, queima a palha. O fogo do purgatório acrisola o ouro. É terrível! Não digamos comodamente: estão no céu! estão no céu! Com isto padecem almas no purgatório. Iremos meditar o que é e o que padecem as almas do purgatório.
 
A Igreja pelas lições impressionantes da sua Liturgia quer que associemos ao pensamento da morte o da eternidade. E, diz o Prefácio da Missa dos defuntos, se a condição da nossa morte nos entristece, console-nos a promessa da imortalidade futura.
Nunca meditemos na morte sem meditarmos no purgatório. É este o sentido da Liturgia nos funerais. Estas preces tocantes e belas, estes ritos impressionantes e cheios de majestade, lembram-nos a nossa dignidade de cristãos, a dignidade de nosso corpo, sacrário de uma alma imortal e templo do Espírito Santo, destinado a ressuscitar um dia e comparecer no Tribunal do Juízo. Há muitas almas queridas pelas quais somos obrigados a orar por dever de Justiça e de caridade. O sentido da meditação da morte e da Liturgia dos mortos, não é um pensamento de morte, é um pensamento de vida. A vida não foi tirada, nem desapareceu, mudou-se apenas.De terrena passou a ser eterna. Eis como o cristão pensa na morte!
 
02 de Novembro o dia dos Mortos - FinadosToda a Liturgia recorda o dogma do purgatório e pede-nos orações pelos nossos mortos. A Igreja se cobre de luto e os sacerdotes podem, neste dia, celebrar três vezes o Santo Sacrifício. Este dia nos foi dado pela Igreja, não para as pompas e manifestações de um sentimentalismo estéril, mas para sufrágio dos mortos. Como se Esquecem disto muitos cristãos! Multidões que enchem os cemitérios, sorrindo e até brincando muita vez, sem orações, sem um pensamento sobrenatural dos mortos! Santifiquemos este dia.

 
A Igreja, neste dia, abre-nos os tesouros das suas indulgências em favor dos mortos. Permite a celebração das três Santas Missas desde a Constituição Apostólica de 15 de Agosto dc 1915, de Bento XV. Duas Missas pertencem: uma aos fiéis defuntos em geral e outra nas intenções do Sumo Pontífice. Concede uma grande indulgência em favor dos defuntos. Aos que visitarem uma igreja ou oratório público ou semi-público, indulgência plenária cada vez aos que entrarem na igreja e rezarem seis Padre Nossos e seis Ave Marias nas intenções do Sumo Pontífice, contanto que tenham se confessado e recebido a Santa Comunhão. (P. P. O. 544.)

 
Há um tesouro de indulgência em todas as Santas Missas celebradas no dia de finados pelos mortos, e durante a oitava gozam do altar privilegiado. A visita ao cemitério também neste dia tem uma indulgência plenária. Tudo isso para nos estimular à devoção aos mortos e ao zelo pelo sufrágio das almas. Com a Igreja, nossa Mãe vestida de luto, vamos chorar nossos mortos, e, rezando por eles, reafirmar nossa fé na imortalidade de nossa alma e na ressurreição da carne.

 
Origem do dia dos mortos

A oração pelos mortos é tão antiga como o Antigo Testamento, pois quem não se recorda da oração e dos sacrifícios ordenados por Judas Macabeus e a expressão: “é útil e salutar orar pelos mortos?” Sempre na Igreja se fizeram preces e foi oferecido o Sacrifício dos Altares pelo alívio dos mortos. Todavia, não existiu sempre um dia especialmente dedicado aos sufrágios e à lembrança piedosa dos fiéis defuntos (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46).

 
A comemoração dos fiéis defuntos de 2 de Novembro vem do tempo de Santo Odilon, célebre abade de Cluny de 994 a 1049. Antes deste grande Santo, já muitos mosteiros tinham um dia especialmente consagrado ao sufrágio dos monges falecidos. A iniciativa de Santo Odilon consistiu em estender a todos os fiéis defuntos os benefícios e sufrágios destas comemorações particulares e reservadas só aos monges de determinados mosteiros.

 
Segundo o monge Josafá na obra "Da vida e virtudes de Santo Odilon Abade", houve um fato extraordinário que determinou esta comemoração geral. Um peregrino de Rodez, que conhecia muito bem as virtudes e os trabalhos de Santo Odilon, na volta do uma peregrinação a Jerusalém, naufragou e foi dar numa ilha deserta. Lá teve umas visões misteriosas de grandes incêndios, e ouvia gritos e gemidos de pobres almas do purgatório que diziam: "Somos aliviadas pelas orações e pela caridade do servo de Deus Odilon e pelos monges de Cluny". O peregrino logo que se viu salvo, procurou o Mosteiro de Cluny e contou o que ouvira. Donde a origem da comemoração dos mortos, pois Santo Odilon daí por diante trabalhou para estendê-la a toda a Igreja. No século XI já era conhecida e praticada em toda Igreja do Ocidente. Com o tempo foi se tornando mais solene, até que nos últimos anos obteve os ricos tesouros de indulgências e missas de que já falamos.

 
Resoluções
 
A lembrança dos mortos há de ser embalsamada pelo perfume da oração e a caridade do sufrágio. Sejo o Dia de Finados o dia da nossa grande dedicação para com os mortos. Ouvir a Santa Missa, receber a Santa Comunhão e visitar o cemitério, se possível. Podemos carinhosamente adornar de flores os túmulos queridos. Todavia, que estas flores simbolizem a nossa oração e venham depois ou juntas com nossos sufrágios. Flores e lágrimas sentimentais e estéreis, nada aproveitam aos mortos. Não se deixe o essencial pelo acessório.

 
Meditemos seriamente em nosso destino eterno. Digamos como São Camilo de Lellis: "Ó, se estes que aqui estão nos túmulos pudessem voltar, como haviam de ser santos e trabalharem pela sua salvação! Estes já foram e eu também irei um dia! Mais tarde me visitarão também num cemitério!" Estou preparado? A morte virá quando eu menos pensar”. Quanta reflexão grave e decisiva não pode nos vir num cemitério. São Silvestre, abade, se converteu e se santificou à vista do cadáver em corrupção, cadáver de um grande amigo que viu ele num túmulo aberto, em estado lamentável de corrupção.

 
No dia dos mortos, contemplemos os túmulos e procuremos a solidão de uma meditação grave. Pensemos em nossa vida futura. Há muita lição que aprender num cemitério! Visitemos os mortos para aprendermos a viver.

 

1º DIA: O MÊS DAS ALMAS

Novembro é o mês consagrado pela nossa devoção ao sufrágio das almas do purgatório. Ainda estamos no Mês do Rosário, porque S. S. Leão XIII, quando estendeu a toda Igreja o Mês do Rosário, quis que a rainha das devoções a Maria fosse compreendida na devoção dos fiéis como a devoção que une as três Igrejas. Vai o Mês do Rosário até 2 de Novembro, para que o tesouro da rainha das devoções marianas possa beneficiar a Igreja padecente.

De primeiro a trinta deste mês, vamos relembrar nossos deveres de justiça e de caridade para com nossos defuntos, vamos sufragar-lhes as pobres almas que estão sofrendo no purgatório. Nos dois primeiros dias, unidos à Mãe do Rosário, comecemos fervorosamente o Mês das Almas. Mês da saudade e mês do sufrágio.  Novembro é o mês das almas porque temos a festa da Comunhão dos Santos — e o dia dos mortos.

Incentivemos nossa devoção, nossa compaixão pelas almas sofredoras. Meditemos, rezemos, soframos, façamos tudo que nos seja possível para que o purgatório receba mais sufrágios e para que as lições deste dogma terrível e consolador ao mesmo tempo, nos seja bem aproveitado.

Neste mês podemos lucrar ricas indulgências... Uma indulgência parcial uma vez cada dia, se fizermos qualquer exercício em sufrágio das almas; uma indulgência plenária para os que fizerem todo o Mês das Almas, contanto que confessem, comunguem e rezem pela intenção do Santo Padre o Papa num dia do mês. No dia 2 de Novembro há grande indulgência. Uma indulgência plenária cada vez a quem visitar as igrejas rezando seis Pai nossos e seis Ave Marias nas intenções do Sumo Pontífice.  Vamos, pois, façamos tudo pelas almas neste mês!

O dogma da Comunhão dos Santos

Rezamos no Credo: Creio na Comunhão dos Santos! Este é o dogma da solidariedade dos fiéis.Santos, são os cristãos na graça de Deus. Os primeiros cristãos eram assim chamados. Santos, são os justos no céu, os que se salvaram e estão na posse de Deus, Santos, são os justos que padecem no purgatório.

Pois comunhão ou comunicação é a união dos fiéis da terra, do céu e do purgatório. Formam eles as três Igrejas — a Igreja militante, somos nós os que combatemos neste mundo; a Igreja triunfante, os fiéis já no céu no triunfo eterno da glória; e a Igreja padecente, os fiéis que se purificam nas chamas do purgatório. Estamos todos unidos em Jesus Cristo como os membros unidos à cabeça.  Cristo Nosso Senhor é glorificado no céu pelos membros triunfantes; sofre no purgatório nos seus membros padecentes; luta conosco neste mundo com os membros militantes.

As almas do purgatório já não podem mais merecer, dependem de nós os que ainda temos à nossa disposição os tesouros da Redenção e os méritos de Cristo. Podemos ajudá-las, podemos socorrê-las e dependem de nós. Por sua vez os Santos do céu juntos de Deus, na posse da eterna felicidade podem nos valer nesta vida, podem interceder por nós. Então recorremos à Igreja triunfante, pedindo socorro, e ajudamos por nossa vez à Igreja padecente, Eis aí o que o dogma da Comunhão dos Santos.

Podem os Santos do céu ajudar as almas do purgatório? Há relações entre a Igreja triunfante e a Igreja padecente?

Santo Tomás de Aquino afirma que sim. Muitos autores o ensinam. Os Santos não podem merecer no céu como nós aqui na terra. Portanto, satisfazer pelas almas não podem, mas pedir e interceder por elas muitos teólogos o afirmam com muito fundamento. E além disso, há uma oração da Igreja que nos autoriza esta crença. Ei-la:

"ó Deus, que perdoais aos pecadores e que desejais a salvação dos homens, imploramos a vossa clemência por intercessão da Bem-aventurada Maria sempre Virgem e de todos os Santos, em favor de nossos irmãos, parentes e benfeitores que saíram deste mundo, a fim de que alcancem a bem-aventurança eterna".

Outra oração, "Fidelium", repete a mesma súplica. Os primeiros cristãos sepultavam os mortos junto do túmulo dos Santos para lhes implorar a intercessão. Podemos, pois crer que os Santos, não como nós, mas intercedendo e pedindo, podem ajudar o purgatório.

Fonte: Comunidade (Católica) Luz da Vida